segunda-feira, 14 de março de 2011

No mês das mulheres quem fez a festa foram os homens

Que a mulher brasileira é um dos sinônimos do carnaval brasileiro, não há dúvidas; mas, em 2011, os homens fizeram a diferença. E não foram os sarados, os musculosos e tão pouco as caras jovens que, na maioria, das vezes duram apenas um carnaval;mas, sim, os que têm as marcas do tempo na face, o grisalho nos cabelos e uma história de vida para ser contada em prosa e samba.

Em São Paulo, a escola Vai-Vai conquistou o 14º título de sua história ao homenagear o pianista e maestro João Carlos Martins, que após perder parte dos movimentos das mãos – ocasionados por problemas de saúde e acidentes como um golpe na cabeça durante um assalto na cidade de Sofia (Bulgária) – persistiu no caminho da música e desenvolveu uma nova forma de reger. Por não conseguir segurar a batuta ou até mesmo virar as páginas das partituras dos concertos, João Carlos memoriza nota por nota, demonstrando mais uma vez sua superação.

Com título “A música venceu”, a escola do Bixiga levou para o primeiro dia de desfiles, no Anhembi, cerca de 3.800 componentes, que com o raiar do dia animaram a arquibancada com o samba enredo:

“E assim, na sua força de superação
Buscou a verdadeira vocação
Um novo incidente o quis derrubar
Mas com maestria se pôs a lutar...”

A coincidência entre as cores da escola – preto e branco – e a vestimenta do homenageado, facilitaram a nota máxima no quesito fantasia e harmonia, totalizando os 269,50 pontos conquistados. O maestro regeu a bateria da escola de samba e estava nitidamente emocionado com a homenagem.

No Rio de Janeiro, o homenageado Roberto Carlos é o motivo de suspiro de muitas mulheres, apesar do passar dos anos, encanta multidões com suas músicas românticas e não foi diferente na Sapucaí. O casamento foi perfeito entre o Rei da Jovem Guarda e a escola Beija-Flor, que assim como o homenageado têm as cores azul e branco como símbolo. Em um carro com mais de 300 crianças, Roberto Carlos participou emocionado do desfile e, como toda a escola, cantarolava o samba enredo:

“Na Jovem Guarda o rock a embalar... Vivendo a paixão
Amigos de fé guardei no coração...
....O beijo na flor é só pra dizer
Como é grande o meu amor por você”

Durante a apuração dos votos, a escola se destacou entre as adversárias, alcançando o 12º título com 299,8 pontos – perdendo pontos nos quesitos mestre-sala e porta-bandeira e, ironia ou não, no samba-enredo.

Ao contrário dos demais anos, em 2011 o carnaval aconteceu no mês de março – mês em que é comemorado o dia internacional da mulher. Mas, entre tanto silicone, músculo e pouca roupa, foram dois homens que fizeram de suas vidas arte e superação.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

—Tem alguém mais importante que ela? — indaga uma senhora a minha direita.

— Não. Não. Somente ela — responde a sorridente funcionária da Livraria Cultura, de São Paulo, enquanto tenta impedir que alguém ultrapassasse a área destinada à imprensa.

Logo após o fim do expediente de uma fria segunda-feira não mais importante em São Paulo, a candidata à presidência da Republica Marina Silva autografaria sua biografia, ao lado da autora Marília de Camargo César.


Com minha máquina fotográfica em punho, dentre tantos profissionais, me atrevo a clicar alguns personagens secundários. A primeira fotografia é do então presidente da Natura, Guilherme Leal, futuro vice-presidente da Republica caso Marina seja eleita. Sempre cercado de pessoas, ele concede entrevista para alguns membros da imprensa.

Um burburinho a minha direita. Quem será? Alguém importante há de ser, para tamanha agitação. É Fernando Gabeira, candidato ao governo do Rio de Janeiro, que vem cumprimentar a aliada de partido.

Não demora muito para que as atenções de Gabeira sejam divididas com os olhos azuis do cineasta Fernando Meirelles, autor do prefácio.

Flashes e mais flashes tomam conta da entrada da livraria. Deixo Meirelles de lado para descobrir quem será o próximo convidado. Tamanho alvoroço é feito para acolher a protagonista da obra, Marina Silva, que chega acompanhada da autora Marília. Tirar uma foto nestas circunstancias é um desafio, pois câmeras profissionais tomam à frente da minha captadora amadora de imagens.

Começa a sessão de autógrafos. A fila para conseguir a assinatura é extensa. Um senhor barbudo, cujo cabelo desgrenhado é perceptível apesar do boné, surge ao fundo. Trata-se de Luiz França Pena, presidente do Partido Verde, que fala sem parar no telefone celular, andando de um lado para outro.

Meus braços erguidos, apesar de doloridos, tentam capturar a melhor imagem de Mariana Silva, que havia parado de autografar os livros para falar com a imprensa.

Ao me distanciar percebo que algo acontece perto do caixa. Vou para direita, volto para esquerda, um, dois, três cliques, descubro Eduardo Suplicy que compra o livro escrito sobre sua antiga aliada de partido.


Entre um questionamento e outro da imprensa, a moça do caixa registra os dois exemplares e aguarda que seu cliente confirme a compra digitando a senha. Ao se livrar das intermináveis perguntas, Suplicy efetiva a compra e segue em direção à mesa de autógrafos.

Os flashes que se intensificam para registrar o aperto de mãos entre o petista e a ambientalista, seguido do caloroso abraço. De longe escuto alguém perguntar:

— Ela é a sua candidata, Suplicy? —. No entanto, a pergunta capciosa não chega aos ouvidos do interessado e se perde no ar.

Suplicy também oferta autógrafos, já que havia distribuído uma cartilha com ilustrações do Ziraldo. Pego um exemplar enquanto freneticamente

procuro uma caneta na escuridão da minha bolsa, tipicamente feminina.

— O senhor pode autografar para mim, por favor?

— Sim, sim. Qual o seu nome?

— Grasiele, com esse — digo, aproveitando para indagar: — Senador, podemos tirar uma foto, também?

— Claro — responde, solícito.

Com um beijo no rosto e um autografo no bolso, vou-me embora feliz do evento.

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu sabia que não iria durar muito

Eu sabia

E durou até mais do que imaginava ou esperava

Queria experimentar, sentir

Foi muito bom o que senti (é muito bom)

Tentei de todas as formas ser forte

Eu tentei

Mas coisas começaram a mudar

Saíram do meu controle

Algo mudou

Alguém balançou

Agora eu tenho que escolher

Decidir

Logo eu

Tão indecisa

Tão sem coragem

Porque eu?

Logo eu

Encontrei um espelho, mas eu ele não reflete minha fisionomia.

Não mostra se estou ou não em forma. E tão pouco vai dizer quando minhas primeiras rugas tocarem meu rosto.

Esse espelho mostra como sou de verdade, sem meias palavras e sem bajulação.

Mostra como sou frágil, durante as adversidades da vida. Como sou um tanto quanto confusa, em relação a minhas decisões. Como sou medrosa, apesar de me fazer de forte. Afinal, tenho medo de fazer escolhas e depois me arrepender.

Mas a vida tem que ser feita de escolhas?

Vivo num dilema diário, pensamentos tomam conta de minha mente.

Sou questionada, avaliada, observada diariamente. Isso me sufoca.

Será que todos estão certos?

Por que sempre eu estou errada ou colocada em dúvida? É errado pensar da forma como eu sinto as coisas? É errado viver da forma que quero?

Quem é a verdade?

Quem é a razão?

Há respostas?

Há solução?

Qual o caminho?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Editorial para o catalogo do KK

A sala de aula ainda estava vazia, cheguei cedo para o primeiro dia de aula. Aos poucos as pessoas foram chegando. Caras novas, jovens, curiosas em saber o que iria acontecer e acanhados em relação aos futuros colegas de classe.
O clima de timidez foi amenizado quando um garoto passa de mesa em mesa cumprimentando os colegas. Quem era? Renato, mas podem chamá-lo de Cidão. E aos poucos já se podiam ouvir algumas conversas paralelas.
A sala de aula estava cheia, eram 40 alunos e pela primeira vez o numero de meninas era superior ao de garotos, como disse o professor Nilton diretor da escola.
Com o passar dos semestres os professores foram se apresentando, cada um com sua peculiaridade.
Marina, a pequena oriental, mantinha a disciplina da sala a “ponta de faca”. Sempre exigente em suas atividades, apresentou aos alunos a misteriosa cabaça, que foi pintada de todas as formas e ângulos. Mostrou um Brasil encantador, cheio de mistérios e diversidades, trouxe a importância dos índios para a construção cultural do país. Muito consciente do seu papel como educadora, tentou abrir os olhos dos alunos para a preservação ambiental e por diversas vezes disse que tínhamos que cuidar não só o país, mas também o ambiente escolar que nos cercava de todas as formas. Nos acompanhou durante os 3 semestres e só temos que agradece – lá, por sua dedicação e comprometimento.
João, o jocoso, as aulas de quinta-feira eram as mais freqüentadas no primeiro semestre. Acompanhado por seu Notebook trazia para a sala de aula seus conhecimentos de um ex-aluno do KK, como também as experiências de um profissional. Correndo de um lado para o outro, sempre disposto a ajudar os alunos, que aos poucos iniciavam a carreira de designer. Mesmo depois quando não dava mais aula para nossa turma, era um ponto de referência procurado pelos alunos.
Lua, suas aulas sempre cheias de cores e formas, apresentou aos alunos a aquarela, acrílica, lápis de cor e a perfeição, pois enquanto a pintura não estava boa, tínhamos que refazê-la até sua martelada final. Nos acompanhou durante os 3 semestres e seu cantinho na sala 24 será lembrado pelas rodas que fazíamos para que ele pudesse apresentar as atividades.
Cila, a historiadora, levou à sala de aula as pirâmides do Egito e as construções arquitetônicas da Grécia. A cada transparência ilustrada na parede, conhecíamos obras de arte de diversos períodos históricos. Seus trabalhos eram feitos à mão, já que não os aceitava digitados, trouxe aos alunos a velha folha de almaço que por muitos já tinha sido esquecida. Com apenas a luz do retroprojetor, suas aulas serviram de descanso para os olhos dos alunos que cansados de trabalhar durante o dia, tiravam um cochilinho na sala de aula.
Edna, no primeiro semestre suas aulas foram recheadas de desenhos em quadrinhos e rafs. Afinal, cada aluno teve que elaborar uma personagem e uma história com começo, meio e fim. Mesmo com os atrasos, todos entregaram e a professora ficou muito contente com alguns resultados que obteve. Voltou no terceiro semestre trazendo questões mais éticas e profissionais, para a turma de já se preparava para sair.
Fátima, se no primeiro semestre acompanhou apenas uma metade da turma, nos últimos dois soube administrar as duas partes. Trouxe para a sala de aula o bidimensional, colocamos a mão na massa, quer dizer na argila e produzimos os mocaps. Sem contar os anúncios de revistas e nos “r” do ultimo semestre. Foi orientadora no trabalho de conclusão de curso da segunda metade da turma e sempre batia um papo cabeça com os garotos e garotas da turma.
Silvio, a fênix, não teve acidente de moto, dengue, costela quebrada e gripe que derrubasse nosso professor de fotografia, que no primeiro semestre se aventurou nas aulas de CorelDraw. No segundo semestre esteve ausente devido problemas de saúde, mas voltou com a força total no terceiro, contando suas artimanhas nas ondas do litoral paulista.
Mouzart, calma não tivemos aulas de músicas no técnico de designer, esse era o nome do nosso professor de fotografia no segundo semestre, que substituiu (e muito bem), o professor Silvio. O ex-aluno do KK levou para sala de aula a maquina fotográfica, e aos poucos foi cativando os alunos com seu jeito desengonçado e atrapalhado de ser. Sempre com seu fiel All Star e suas perninhas tortas que foram alvos de vários flashes dos alunos.
Nil, o professor dos últimos dois semestres de informática, logo conquistou os alunos, devido aos conhecimentos em Ilustrator e Photoshop. Por ser um profissional da área, mostrou aos alunos a importância de fazer bons trabalhos e de não ser um “Zé tosqueira”.
Quedas, do primeiro ao ultimo semestre, mostrou aos alunos a importância da tipografia ou tipologia (como queiram). Foi um dos professores que mais organizou visitas técnicas. Sempre preocupado com a questão dos animais, principalmente os gatos, elaborou trabalhos para conscientizar os alunos e a sociedade. Sua forma pausada de falar e ser, embalava as aulas. Quem vai esquecer dos “portas-seios” ou da troca de nome entre os alunos?
Paulo, orientador da primeira turma, perdeu os poucos cabelos que tinha, já que dificilmente os alunos traziam na data, os trabalhos que ele pedia. Mas no fundo, bem no fundinho sabia da capacidade de todos que mesmo atrasados, traziam os trabalhos. Foi peça importante na conclusão dos trabalhos finais, pois sempre buscou algo mais de seus alunos. E apesar de não dar o braço a torcer, sabe que os trabalhos ficaram ótimos.
Vera, professora do ultimo semestre, acompanhou alguns TCC´s, em suas aulas trouxe para os alunos, a importância das pesquisas de mercado, a montagem do briefing e referências bibliográficas, em suas apresentações no PowerPoint.
Débora, a professora de “L.C”, colocou o pessoal de DG pra falar, em suas aulas tivemos apresentações e até entrevistas de emprego. Apesar de não gostarem muito de falar o pessoal até que se saiu bem. Relembrando a professora Cila, até um ditado rolou no ultimo semestre.
Ângulos, compassos e régua! As aulas da professora Estela, fizeram muitos quebrarem a cabeça para achar a circunferência exata no primeiro semestre.
Foram 14 professores, durante um ano e meio, cada um com sua habilidade, competência e é claro muita paciência, afinal eram duas turmas com alunos de diferentes estilos e personalidades. Não podemos esquecer é claro, do diretor Nilton, o coordenador Pedro e dos funcionários que de longe acompanharam nossa passagem.
No inicio éramos 40, no decorrer do curso alguns desistiram por motivos diversos, deixando saudade e a sala cada vez menor. O intuito do Catálogo é mostrar o que foi elaborado durante o curso e até mesmo coisas novas elaboradas especialmente para esse exemplar.
Foram 547 dias, de muita risada, confusão e noites em claro, daqui algum tempo alguns serão apenas conhecidos, outros amigos para sempre, mas todos com uma coisa em comum: ex- alunos do KK.

sábado, 31 de maio de 2008

Dedos cruzados. Pernas inquietas. O coração? Coitado... estava na garganta. Nenhum som podia emitir, estava no ônibus voltando para casa e ali muitos não me entenderiam ou me fuzilariam com seus olhos sonolentos, sem entender a importância daquele momento.
O caminho para casa parecia mais longo. Minha ansiedade e agonia não permitiram que eu tirasse o meu cochilo rotineiro, que muitas vezes me fez passar do ponto certo.
Precisava chegar logo em casa, era uma questão de vida ou morte.
Cheguei! Desci rapidamente do ônibus, a chave do portão já estava engatilhada, mesmo assim, o nervosismo não deixou que eu acertasse a fechadura.
Subi as escadas correndo, abrir a porta da sala e sem retirar a mochila das costas, fiz o que esperava a 90 minutos...
Assistir ao jogo do Corinthians contra o Botafogo.
Não era a primeira vez que assistir a uma semifinal com o Corinthians, mas o jogo contra o Botafogo tinha um sabor diferente.
Em 2007, sofremos com o rebaixamento para a série B e a corrupção correu solta no Parque São Jorge. Esse era o momento de mostrarmos que temos condições de voltar de onde nunca deveríamos ter saído.
Tínhamos perdido o 1º jogo por 2 a 1, com um gol nos instantes finais da partida.
A torcida cooperou e rapidamente esgotou os ingressos para a partida de volta.
Dentro de campo tínhamos que fazer um gol, apenas um, seria o suficiente para chegarmos à final da Copa do Brasil e quem sabe a tão sonhada Copa Libertadores. Mas estamos desfalcados, faltavam quatro titulares. A situação não era das melhores...
O jogo foi do jeito que a torcida gosta...
Corinthians começou o jogo impondo seu ritmo e teve boas chances de marcar ainda na 1º etapa.
Segundo tempo começa com Mano Menezes já expulso, coloca Acosta no lugar de Fábio Ferreira. Devo confessar que ouvir o nome de Acosta, não foi muito confortável, mas para calar minha boca...
Aos 7 minutos, depois do cruzamento de Herrera, Acosta faz a galera vibrar, afinal era o gol da classificação.
Pela rádio conseguia imaginar a alegria da torcida, da mesma forma também imaginei e senti a frustração que silenciou o Morumbi, 3 minutos depois com o gol de Renato Silva. Assim como o símbolo do time, havia alguns torcedores solitários comemorando a possível virada de mesa, o empate favorecia o Botafogo.
A partir daí foi só sofrimento, ouvir uma semifinal pela rádio, dentro de um ônibus, sem esboçar nenhuma reação... foi demais pra mim.Ainda dentro do ônibus, gritei “calada” ao gol de Chicão, que levaria o jogo aos pênaltis.
Querendo tirar o corpo fora, o juiz termina o jogo sem acréscimos.
E lá vamos nós...
Nessa hora vale tudo: ajoelhar na sala, cruzar os dedos (incluindo dos pés), apertar o santinho, como se a cada apertão “ele” fosse ajudar cada pênalti convertido a nosso favor.
Os goleiros como se estivessem ensaiando, saíram para o mesmo lado, tirando um peso das costas dos batedores, que agradeciam aos céus.
Cansado de brincar, Felipe acertou o canto e rebateu o chute de Zé Roberto. Ufa, estávamos na final. Aliviados?
Até o próximo apito. Terei tempo de lavar a camiseta da sorte, afinal superstição nunca é demais.